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Saúde

10/11/2025 às 12h53 - atualizada em 12/11/2025 às 22h11

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Redacao

Vila Velha / ES

Caso Santa Rita: fungo causou surto e bactéria provocou casos mais graves
Fungo histoplasma foi responsável pela maior parte das contaminações, enquanto a bactéria Burkholderia cepacia apareceu de forma “paralela” atingindo duas técnicas em enfermagem que ficaram em estado grave
Caso Santa Rita: fungo causou surto e bactéria provocou casos mais graves
Hospital Santa Rita Crédito: Ricardo Medeiros

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) afirmou, nesta segunda-feira (10), que o surto registrado no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória, foi causado pelo fungo histoplasma – confirmado em 33 dos 141 casos investigados. Também foi constatado que os casos mais graves, envolvendo duas técnicas de enfermagem, foram provocados pela bactéria Burkholderia cepacia – também encontrada em uma amostra de água da unidade hospitalar.


Segundo o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, o fungo histoplasma foi responsável pela maior parte das contaminações, enquanto a bactéria apareceu de forma “paralela”, atingindo duas profissionais que tiveram o quadro clínico mais severo.


"Concluímos a investigação sobre o surto e agora podemos afirmar que foi causado pelo fungo histoplasma. Temos mais de 30 casos confirmados de amostras de pessoas que estavam como casos suspeitos"


Tyago Hoffmann Secretário de Estado da Saúde do Espírito Santo


Durante a nova rodada de análises no Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen), as técnicas de enfermagem do Santa Rita testaram positivo para a Burkholderia cepacia, ambas técnicas de enfermagem do Santa Rita. “Não por acaso foram os casos mais graves”, explicou o secretário.


Na semana passada, a Sesa já havia confirmado a identificação dessa bactéria em uma amostra de água de um bebedouro da enfermaria do Santa Rita. Naquele momento, porém, não havia registro de contaminação em pessoas. Agora, os testes metagenômicos atestaram que as duas profissionais estavam infectadas pela Burkholderia cepacia.


O secretário disse que uma delas também testou positivo para o histoplasma. “Era o caso mais grave, a Giane Coutinho”, afirmou Tyago Hoffmann. A técnica em enfermagem havia sido internada em estado grave, mas apresentou melhora.


A Burkholderia cepacia é um microrganismo típico de ambiente hospitalar, transmitido principalmente por contato com água contaminada ou de pessoa para pessoa. Ela causa infecções pulmonares mais severas.


Aumento no número de casos no Hospital Santa Rita


O diretor do Lacen, Rodrigo Rodrigues, explicou que houve demora na confirmação das infecções devido aos diferentes métodos necessários para cada tipo de exame e ao período de incubação do fungo.


“Na primeira leva de amostras analisadas tivemos apenas um caso confirmado, apresentado na última coletiva. Mas agora temos 33 casos no total”, afirmou. Segundo ele, muitos testes iniciais deram negativo porque ainda estava em curso o processo chamado de “soroconversão”, quando o organismo passa a produzir anticorpos detectáveis após a exposição ao fungo.


O fungo histoplasma é encontrado principalmente em ambientes com fezes de pássaros e morcegos, como sótãos e estruturas antigas. A transmissão não ocorre de pessoa para pessoa: a contaminação se dá pela inalação de esporos presentes no ar.


Investigação agora mira causas internas


Com o encerramento da investigação sobre a origem biológica do surto, o próximo passo será avaliar possíveis falhas ou fatores estruturais que possam ter permitido a contaminação.


"Agora tem o papel da vigilância de conformidades, para podermos identificar se encontramos o que pode ter causado essa contaminação dentro do hospital e evitar outros casos"


Tyago Hoffmann Secretário de Saúde do Espírito Santo


O secretário destacou que esse trabalho não se limita ao Santa Rita, mas deve orientar ações preventivas em outras unidades de saúde do Estado. Hoffmann ressaltou que o hospital tem colaborado com todas as etapas. "O hospital tem sido parceiro e colaborado com tudo. Não temos nenhum tipo de dificuldade na relação com o Santa Rita", disse.


Números atualizados do surto


A infecção misteriosa, que começou no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória, chegou a 141 casos em investigação. De sexta-feira (7) para sábado (8), um caso a mais foi listado entre as situações em análise (indo de 140 para 141), número que se manteve de sábado para domingo (9). Entre eles estão: 113 colaboradores, 17 acompanhantes e 11 pacientes. As informações foram divulgadas no domingo em boletim da Secretaria de Saúde do Espírito Santo (Sesa-ES). 


Três pessoas permanecem internadas, sendo duas na UTI, uma delas em Vitória e a outra em Vila Velha, e uma na enfermaria, também na Capital. Pacientes de outras cidades já receberam alta. Conforme o documento, 33 amostras dos casos suspeitos foram confirmadas pelo fungo.


Na manhã do último dia 4, a Sesa já havia adiantado que nove amostras enviadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmaram presença de anticorpos do fungo histoplasmose. O número subiu para 10 na quinta-feira (6), escalou para 30 na sexta-feira e para 33 nesta segunda-feira (10). A infecção por fungo é a principal suspeita de ser o causador do surto no centro médico. Conforme a Secretaria, ele é geralmente encontrado em fezes de aves e morcegos.


Apesar do número maior de investigações, os dados não estão relacionados a novas infecções, mas levam em consideração se as pessoas apresentam sintomas específicos do quadro avaliado e se elas estiveram na ala oncológica, setor onde a infecção pode ter começado, no período entre 20 de setembro e 22 de outubro.


Os sintomas


Quadro 1


► Ter febre


►Alteração em exames de raio-x do tórax


►Pelo menos um desses sintomas: tosse, dores muscular ou de cabeça.


Quadro 2


► Ter febre


► Pelo menos dois desses sintomas: tosse, dores muscular ou de cabeça


Na segunda-feira (27 de outubro), primeiro dia de divulgação, eram 34 colaboradores e 7 acompanhantes analisados. Estão sendo testados 300 patógenos, como bactérias e fungos, no Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen-ES) e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.


Entenda o caso


►Quando começou: 


Em 19 de outubro, funcionários da ala oncológica do Hospital Santa Rita começaram a apresentar sintomas semelhantes aos de uma pneumonia. 


► Quais os sintomas:


Febre, tosse, dores musculares ou de cabeça e alteração em exames de raio-x do tórax. 


► O que foi feito:


Diversas medidas foram tomadas para garantir a segurança de pacientes e profissionais da saúde. A Sesa emitiu nota técnica para todos os municípios capixabas, com orientações sobre identificação e manejo de casos suspeitos. Novas coletas foram realizadas para aumentar a precisão dos exames.


► O que causou o surto? 


A investigação foi concluída. 


O surto foi causado pelo fungo histoplasma, com 33 casos confirmados até agora. Além disso, dois casos mais graves — envolvendo técnicas de enfermagem — foram provocados pela bactéria Burkholderia cepacia, encontrada em uma amostra de água. Embora o histoplasma seja o responsável pelo surto, a bactéria causou um problema paralelo, restrito a esses dois profissionais. A Sesa segue apurando a origem ambiental da contaminação dentro do hospital.


► É contagioso? 


A Sesa reforça que não há risco de transmissão para a população. O histoplasma não é transmitido de pessoa para pessoa — a infecção ocorre pela inalação de esporos de ambientes contaminados. A Burkholderia cepacia pode ser transmitida por contato ou água contaminada, mas os casos confirmados ficaram restritos ao ambiente interno da unidade. Não há evidência de disseminação fora do hospital.

FONTE: Portal de Noticias Agazeta ES

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