11/09/2025 às 20h20 - atualizada em 13/09/2025 às 14h48
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Redacao
Vila Velha / ES
A 13ª reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha (Comdec/VV) contou com a presença do economista e ex-ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guilherme Dias. Ele apresentou uma análise sobre os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O encontro também abordou a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), instrumento que orienta o desenvolvimento urbano e define as regras de uso e ocupação do solo na cidade.
Participaram da reunião, realizada na noite de quarta-feira (10), o prefeito Arnaldinho Borgo, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha e secretário-executivo do Comdec, Everaldo Colodetti, o presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lyra, além de secretários municipais e representantes do setor empresarial.
Ao iniciar sua exposição, Guilherme Dias, que também é conselheiro do Comdec, afirmou que o tarifaço foi “politizado” e apresentou uma análise estruturada em três eixos: as motivações dos Estados Unidos, em especial do presidente Donald Trump, para adotar as medidas; a dimensão do impacto para o Brasil; e as consequências diretas para o Espírito Santo.
No panorama internacional, destacou a consolidação dos Estados Unidos como potência econômica e a ascensão da China como competidor real. “É uma bobagem imaginar que o tarifaço seja uma perseguição ao Brasil. Nosso país tem um peso muito pequeno para influenciar o rumo das decisões norte-americanas”, afirmou.

Segundo o ex-ministro, os efeitos das tarifas foram “superestimados” e acabaram explorados politicamente em benefício do governo federal. “Foi uma pauta que caiu do céu para o governo”, avaliou. Para sustentar sua análise, citou dados do Ministério da Indústria e Comércio: “Na época do governo Fernando Henrique, as exportações para os Estados Unidos representavam cerca de 21% a 22% do total brasileiro. Hoje, os EUA respondem por apenas 12% das exportações do país”.
O economista também fez um recorte direcionado ao setor da construção civil, presente na reunião. Ele destacou que a maior ameaça à siderurgia nacional não são as tarifas americanas, mas o dumping – prática em que empresas vendem produtos no exterior por valores artificialmente baixos, muitas vezes abaixo do custo de produção, com o objetivo de eliminar concorrentes locais.
Para Dias, os entraves à competitividade brasileira estão em outras frentes e exigem medidas estruturais. “Primeiro, se o governo realizasse um ajuste fiscal, o mercado reduziria os juros imediatamente, beneficiando toda a economia. Segundo, não se trata de fechar a economia, mas alguns setores precisam, sim, de proteção para garantir investimentos, como o da siderurgia”, defendeu.
O prefeito Arnaldinho Borgo elogiou a palestra e destacou o efeito positivo da explanação. “Guilherme deu um show ao explicar o tema e acalmou o coração de muita gente aqui. É evidente que as narrativas estão sendo usadas pelos dois extremos, direita e esquerda. Mas nada de extremismo vai ajudar a população. Precisamos de equilíbrio para superar os problemas, pacificar os ânimos e permitir que o país avance. O Brasil não pode ficar paralisado em disputas que não trazem soluções reais para quem mais precisa”, afirmou.

O secretário de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade, Joel Rangel, apresentou os desafios do crescimento desordenado da cidade e reforçou que Vila Velha passa, desde 2021, por profundas transformações urbanas, econômicas e sociais.
“Por que precisamos da revisão? A cidade está crescendo, é dinâmica e vive um novo momento. Precisamos olhar para frente e não perder o foco do que queremos para Vila Velha daqui a dois, cinco, dez anos”, disse Joel, lembrando que a atualização periódica do PDM é obrigatória por lei. A última revisão do plano ocorreu em 2018.
Uma Comissão Técnica Municipal, formada por diferentes secretarias da Prefeitura, já trabalha na atualização. O prazo inicial para conclusão é de seis meses, prorrogável por decreto. No momento, o processo está na fase de consulta pública, etapa que poderá definir desde diretrizes para construções em áreas adensadas até regras de proteção de mananciais e expansão de zonas habitacionais.
Durante o encontro, Douglas Vaz, diretor da Vaz Desenvolvimento Imobiliário e presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES), apresentou um balanço dos empreendimentos em andamento no Estado e em outras regiões do país. Em Vila Velha, destacou o projeto de um grande empreendimento na Leste-Oeste, que tem como diferencial o foco no desenvolvimento sustentável e no conceito de cidade inteligente.
A reunião do Comdec aconteceu no local onde será construído esse novo empreendimento. Segundo explicou o secretário de Desenvolvimento Econômico e secretário-executivo do Comdec, Everaldo Colodetti, todos os encontros do Conselho são realizados em empresas ou em projetos em andamento na cidade. A iniciativa reforça que o desenvolvimento econômico é uma das plataformas centrais da atual administração, com pautas tratadas como prioridade.
Ao encerrar a reunião, o prefeito Arnaldinho Borgo reforçou que a gestão municipal tem trabalhado para incentivar e atrair novos investimentos, fundamentais para a geração de empregos, o aumento da renda e o fortalecimento da arrecadação tributária. Ele também destacou a relevância da participação da sociedade e dos diversos segmentos na revisão do PDM.
“A cidade está em transformação. É essencial que todos contribuam com sugestões, apontem melhorias e indiquem os entraves que dificultam o desenvolvimento de Vila Velha. Estamos construindo, juntos, uma nova cidade, com responsabilidade e foco no desenvolvimento sustentável, sempre pensando no social e no bem-estar da população”, concluiu.
FONTE: Prefeitura de Vila velha - Secretaria de Desenvolvimento Econômico
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