Segunda, 27 de maio de 2024
Política

03/05/2024 às 12h23

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Redacao

Vila Velha / ES

Vitória: “partidos de Marcelo Santos” apoiam a reeleição de Pazolini
Sob o controle do presidente da Ales, PRD e Solidariedade decidem ficar com o prefeito, enquanto o próprio partido de Marcelo estará em outro palanque
Vitória: “partidos de Marcelo Santos” apoiam a reeleição de Pazolini
Lorenzo Pazolini e Marcelo Santos em reunião da Assembleia para tratarem de tema relacionado à TV Assembleia. Foto: Reprodução Instagram

O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, é filiado ao Podemos. Assim como ele próprio, o partido pertence à base do governador Renato Casagrande (PSB). No início do ano, após ter conseguido ampliar sua influência dentro do próprio partido – assumindo o controle do Podemos em Cariacica e outras cidades –, Marcelo expandiu ainda mais o seu raio de influência na política estadual. Articulando-se diretamente com dirigentes nacionais, adquiriu a presidência de dois partidos de pequeno porte no Espírito Santo: o Partido Renovação Democrática (oriundo da Fusão do PTB com o Patriota) e o Solidariedade. Não pessoalmente, é claro – afinal, ele segue no Podemos –, mas por intermédio de auxiliares diretos.



Os tentáculos do deputado estão ali, mas a presidência das duas siglas é exercida desde janeiro, respectivamente, por Joelma Costalonga e Clevinho Venancio. Os dois são aliados políticos e colaboradores de Marcelo, privam de sua confiança, exercem cargos comissionados ligados à administração da Assembleia por indicação do presidente da Casa e também foram designados por ele para conduzirem, em seu nome, essas duas siglas no Estado.



Joelma e Clevinho ocupam cargos de direção na Assembleia, subordinados diretamente à Mesa Diretora (leia-se a Marcelo Santos). Presidente da Comissão Estadual Provisória do PRD, Joelma é a secretária da Casa dos Municípios, enquanto Clevinho, seu equivalente no Solidariedade, é subdiretor de Segurança do Legislativo Estadual. Os dois partidos, em resumo, estão nas mãos de Marcelo no Estado e são tocados por ele a distância.


Pois bem, o fato novo é o seguinte: sob tal influência de Marcelo, tanto o PRD como o Solidariedade decidiram apoiar a reeleição do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) em Vitória. Não é hipótese nem especulação, mas decisão fechada e selada, confirmada à coluna pelos respectivos presidentes estaduais, tanto Joelma como Clevinho.


O próprio Marcelo não confirma apoio a Pazolini nem a qualquer outro candidato (ele não retornou nossos contatos). Tem uma tendência, pelo que apuramos, a apoiar pessoalmente Pazolini, mas, se realmente publicizar essa decisão, não o farão tão cedo, até para não azedar sua relação com outros deputados. Marcelo está pisando em ovos porque quatro colegas de plenário também são pré-candidatos à Prefeitura de Vitória: João Coser (PT), Capitão Assumção (PL), Tyago Hoffmann (PSB) e Camila Valadão (PSol) – ou cinco, se quisermos incluir Gandini (PSD).


Podemos para um lado; “partidos de Marcelo” para o outro


PRD e Solidariedade chegam para se juntar aos outros partidos que já estão na coligação de Pazolini: o Republicanos, legenda do prefeito, o Progressistas (que deve indicar o/a vice) e o pequeno Democracia Cristã (DC).


A posição das duas siglas sob o controle indireto de Marcelo difere daquela do próprio partido do presidente da Assembleia. Como lembramos no início, o Podemos faz parte da base do governador Renato Casagrande, adversário de Pazolini. Ao governo e seus aliados, interessa a derrota do atual prefeito.


O Podemos não tem a menor intenção de apoiar Pazolini. Ao contrário, lançou no começo deste mês a sua própria candidata à Prefeitura de Vitória: ninguém menos que a atual vice-prefeita, Capitã Estéfane. Filiada à sigla no dia 5 de abril, Estéfane é aliada do governo Casagrande e, ao longo do atual mandato – por conta, entre outros motivos, de seu apoio ao governador –, rompeu politicamente com Pazolini e tornou-se sua adversária interna.


Para além disso, hoje o Podemos faz parte de uma frente de centro formada por outros partidos também integrantes da base de Casagrande: a federação PSDB/Cidadania, o PSB, o PSD, o MDB e o União Brasil. Nessa frente há outros pré-candidatos a prefeito, como o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), aquele que tem feito movimentos mais abertos para isso. Objetivo, relatam participantes, é que todos se unam em torno de uma só candidatura, até a data final para o requerimento dos registros à Justiça Eleitoral, em 15 de agosto.


Daí se pode concluir que, enquanto o próprio partido de Marcelo estará em palanque oposto ao de Pazolini, as duas siglas que ele toca a distância estarão no palanque do prefeito.


Marcelo e sua “dupla aliança”


Essa divisão (que também pode ser chamada de equilíbrio, ou equidistância, dependendo do ponto de vista) faz sentido se olharmos a trajetória recente de Marcelo.


O presidente da Assembleia é, ao mesmo tempo, grande aliado de Casagrande, mas também grande aliado de Erick Musso, dirigente máximo do Republicanos no Estado. Antecessor de Marcelo no cargo, o ex-presidente da Assembleia é quem responde politicamente por Pazolini para assuntos eleitorais e quem conduz as articulações partidárias em seu nome.


Durante os seis anos em que a Assembleia foi presidida por Erick, de 2017 a 2023, Marcelo foi o seu 1º vice-presidente, estreitou essa relação com Erick e se notabilizou como um dos principais articuladores políticos do então presidente, se não o principal, jogando papel decisivo desde a chegada dele à presidência. Muita vezes, Marcelo também carregou o piano para Erick, presidindo em seu lugar a maior parte das sessões ordinárias e até a sessão especial, posteriormente anulada pela Justiça e pela própria Assembleia, em que Erick foi reeleito presidente com mais de um ano de antecedência, em novembro de 2019 – segundo Marcelo, contra seu aconselhamento.


Durante esses anos, Marcelo consolidou exatamente essa posição ambivalente, de conservar-se ao mesmo tempo como aliado do governador e do então presidente do Parlamento Estadual, mesmo quando os chefes desses dois Poderes entraram em atrito. Não poucas vezes, Marcelo operou como um pêndulo político, fazendo as vezes de mediador entre as partes, como um interlocutor em comum.


Passada a Era Erick na Assembleia, com Marcelo agora na presidência, a proximidade entre eles segue intacta, enquanto Marcelo faz questão de preservar sua aliança com o governador… trabalho para um equilibrista!


Objetivamente, na distribuição das forças partidárias no processo eleitoral em Vitória, essa dualidade de Marcelo tende a se manifestar com o próprio partido dele indo para um lado e as duas siglas sob seu controle caindo para o outro.


Os vereadores acolhidos


Outro sinal de como PRD e Solidariedade (leia-se Marcelo Santos) estão próximos a Pazolini é que esses dois partidos acolheram três vereadores da base do prefeito de Vitória nos últimos dias da última janela partidária, encerrada em 5 de abril. Dalto Neves (ex-PDT) foi recebido pelo Solidariedade, enquanto Maurício Leite (ex-Cidadania) e Duda Brasil (ex-União Brasil) foram para o PRD. O último é o líder de Pazolini na Câmara de Vitória.


A ex-vereadora Neuzinha de Oliveira (ex-PSDB) também se filiou ao PRD para tentar voltar à Caâmara.


Erick Musso: “Marcelo é meu irmão”


O presidente estadual do Republicanos confirma o apoio de PRD e Solidariedade a Pazolini e o excelente diálogo mantido com Marcelo:


“Vamos equalizar. Lá tem os vereadores Duda Brasil e Maurício Leite, além da Neuzinha. São todos da base do governo, então estamos construindo bem. Tenho dialogado muito com Marcelo. Ele é meu irmão”.


O que diz Clevinho Venancio


O presidente estadual do Solidariedade, Clevinho Venancio, confirma que a decisão da sigla em apoiar a reeleição de Pazolini foi tomada em diálogo com Erick Musso, até porque este, segundo o dirigente, ajudou muito na “construção do partido”, isto é, na montagem da chapa de candidatos a vereador.


“Já faz algum tempo que a gente vem dialogando com o Erick, que faz essa interlocução. Na realidade, quem conversa politicamente pelo Pazolini é o Erick. Decidimos apoiar o Pazolini pela afinidade que temos com ele, pelo diálogo, pela construção também com o Erick. Ele foi um parceiro muito grande nosso na construção do partido.”


Clevinho confirma, ainda, que a decisão contou com a influência de Marcelo Santos: “Ele influenciou e ajudou, sempre orientando a gente. Ele sempre deu muita liberdade para a gente construir isso, deu muita autonomia para a gente fazer esse vínculo”.


E quanto a Marcelo? O presidente ainda não se pronunciou, mas Clevinho opina que ele também apoiará Pazolini, deixando para fazer esse anúncio no momento certo: “Provavelmente. Mas acho que ele vai deixar para anunciar essa decisão mais para a frente”.


Para lembrar…


Ao longo do ano passado, insatisfeito com a condução do Podemos no Espírito Santo, Marcelo esteve perto de sair do partido, flertando com MDB, União Brasil e PSD (siglas também integrantes da base de Casagrande). Mas acabou optando por continuar no Podemos, após uma repactuação com o presidente estadual do partido, Gilson Daniel, que levou a uma redivisão do poder interno entre os líderes da agremiação política no Espírito Santo.


Com esse novo arranjo, Marcelo conseguiu ampliar as suas áreas de influência no partido, ficando com o controle sobre as direções municipais do Podemos em Cariacica e em algumas cidades do interior.

FONTE: ES 360

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